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O que essa copa tem de diferente de todas as outras?

  • 2 de jul.
  • 4 min de leitura

A Copa acontece de quatro em quatro anos.


E é um retrato do momento em que ela acontece. E, por isso, cada edição acaba registrando muito mais do que gols e campeões.


Ela mostra mudanças culturais, tecnológicas e sociais que já estão acontecendo diante dos nossos olhos.


Nesta edição, resolvi olhar para esses sinais.

O rosa que há 20 anos seria impensável


Goleiro do brasil — Foto: instagram Alisson Becker
Goleiro do brasil — Foto: instagram Alisson Becker

A mudança que chamou a atenção de todo o mundo: nunca se viu tanto rosa numa Copa.


Goleiro do Brasil de rosa. Árbitros de rosa. Chuteiras rosas em campo. Há duas décadas, isso seria simplesmente impensável em um ambiente tão masculino e carregado de estereótipos como o futebol.


Pode parecer pequeno, mas não é.


Quando até um dos ambientes mais marcados pela ideia de que "isso é coisa de homem" deixa de estranhar essa cor, talvez a transformação cultural esteja avançando mais do que algumas pessoas imaginam.


Outro detalhe: rosa, IA e previsão de futuro


Imagem do jogo Brasil x Marrocos — Foto: Alexandre Battibugli/VEJA
Imagem do jogo Brasil x Marrocos — Foto: Alexandre Battibugli/VEJA

Quatro grandes marcas diferentes lançaram chuteira rosa nesta copa, sem combinar entre si. O que era para ser ousado virou lugar-comum.


Coincidência? Definitivamente não!


Todas estão olhando para os mesmos dados, os mesmos estudos de comportamento, os mesmos algoritmos e tendências.


O acesso à informação agora é democrático.


É exatamente aí que entra o futurismo: a capacidade de fazer boas perguntas, conectar sinais aparentemente desconectados e construir uma leitura diferenciada que faça sentido para a sua realidade.


Tendência todo mundo pode ver as mesmas. O que pode te fazer único, não.

Quem transmite mudou radicalmente


Transmissão ao vivo no youtube  — Foto: Acervo pessoal
Transmissão ao vivo no youtube — Foto: Acervo pessoal

A Cazé TV revolucionou ao transmitir, pela primeira vez, todos os jogos da Copa no YouTube. Antes, quem comprava os direitos escolhia o que você podia ver, e no horário que bem entendesse. Ponto final.


Hoje é possível ver o jogo uma hora depois. E, se perder um lance por distração, basta voltar.


O monopólio que parecia impensável de quebrar foi quebrado, e as emissoras tradicionais estão sofrendo para se adaptar.


O álbum de figurinhas que ficou bem mais caro e gerou novos movimentos


Liner ( Verso da figurinha) - Foto: Notícia G1 São paulo - Reprodução EPTV/ Valdinei Malaguti
Liner ( Verso da figurinha) - Foto: Notícia G1 São paulo - Reprodução EPTV/ Valdinei Malaguti

Completar um álbum de figurinhas sempre foi um ritual da Copa.

Mas, com mais seleções, mais jogadores e um número maior de figurinhas, completar a coleção ficou muito mais caro. Para muitas famílias, virou um gasto difícil de sustentar.


A resposta veio rápido: a Secretaria de Cultura de São Paulo passou a distribuir álbuns e figurinhas gratuitamente para a população de baixa renda.


E tem mais: surgiu uma grande movimentação de reciclagem do liner ( material atrás das figurinhas), com empresas se mobilizando para coletar e dar nova destinação ao material, inclusive marcas como a Natura oferecendo desconto para quem entrega o liner usado.


Economia circular, na prática, nascendo de um hábito tão simples quanto colecionar figurinhas.


Momento educação: O liner é um papel que contém uma camada de silicone e que não pode ser reciclado junto com o papel comum. Historicamente, ele sempre foi um problema, seja nas figurinhas ou em qualquer operação industrial que trabalha com etiquetas.


É a primeira vez, em todos os anos trabalhando com esse tema, que vemos o liner sendo comentado por tanta gente no dia a dia. Ainda assim, falta que as marcas que utilizam esse material e as indústrias que o desenvolvem se posicionem de forma mais responsável.

O recorde que ninguém gostou de ver

Noticia CNN BRASIL
Noticia CNN BRASIL

Essa Copa teve um dos jogos mais longos da história da competição, devido às condições climáticas: a partida da França x Iraque, foi paralisada por horas por causa de uma tempestade fortíssima.


Não foi azar. É efeito direto do El Niño, fenômeno climático que está deixando o clima mais extremo e mais imprevisível em várias partes do mundo.


No Brasil, esse mesmo padrão climático já está aumentando o risco de negócio: regiões com excesso de chuva, outras com estiagem severa. Agro, logística, crédito rural, tudo isso sente as consequências.


Como nos preparamos para um clima que já não segue o roteiro que conhecemos?


O Brasil parou para assistir aos jogos: quer uma prova?


Consumo de energia durante partida do Brasil contra o Haiti — Foto: Itaipu
Consumo de energia durante partida do Brasil contra o Haiti — Foto: Itaipu

Durante os jogos da seleção brasileira, o consumo de energia despenca. No intervalo, acontece o movimento contrário: um pico repentino. Milhões de pessoas levantam ao mesmo tempo para abrir a geladeira, fazer um café ou ir ao banheiro.


É o país inteiro respirando no mesmo ritmo por 90 minutos.


Para quem está do outro lado, isso não é apenas uma curiosidade. Geradoras e distribuidoras de energia precisam preparar toda a operação para lidar com essas quedas e picos repentinos de consumo. Isso exige planejamento, tecnologia, investimentos e uma infraestrutura capaz de responder em poucos minutos.


É um bom exemplo de como grandes eventos geram impactos que quase nunca percebemos como usuários. Enquanto assistimos ao jogo, empresas ajustam operações, sistemas e equipes para acompanhar o comportamento coletivo.


Bônus: Episódio brasileiro (fora da copa)


O Palmeiras passou a usar reconhecimento facial para identificar devedores de pensão alimentícia com mandados de prisão, resultando em diversas detenções.


É um exemplo de como a tecnologia deixou de servir apenas para facilitar experiências. Cada vez mais, ela também está sendo usada para ampliar a responsabilização.


A Copa continua sendo futebol. Mas reflete muitas transformações que entram em campo discretamente. Quem trabalha construindo o futuro aprende justamente isso: ele raramente chega fazendo barulho.

 
 
 

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